"Aquilo que o "eu " tem de único se esconde exatamente naquilo que o ser humano tem de inimaginável. Só podemos imaginar aquilo que é identico em todos os seres humanos, aquilo que lhes é comum . O "eu" individual é aquilo que se distingue do geral, portanto aquilo que não se deixa adivinhar nem calcular antecipadamente, aquilo que precisa ser desvelado, descoberto e conquistado do outro." - A Insustentável Leveza do Ser
quarta-feira, 27 de maio de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Enquanto os Homens Morrerem, a Liberdade não Perecerá
Os seres humanos são assim.
Queremos viver a felicidade dos outros e não a sua infelicidade.
Não queremos odiar nem desprezar ninguém.
Neste mundo há lugar para toda a gente.
E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos.
O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desviámo-nos do caminho.
A cupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de ódio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgraça e a carnificina.
Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela.
A máquina que produz a abundância empobreceu-nos.
A nossa ciência tornou-nos cínicos; a nossa inteligência, cruéis e impiedosos.
Pensamos de mais e sentimos de menos.
Precisamos mais de humanidade que de máquinas.
Se temos necessidade de inteligência, temos ainda mais necessidade de bondade e doçura.
Sem estas qualidades, a vida será violenta e tudo estará perdido.
O avião e a rádio aproximaram-nos.
A própria natureza destes inventos é um apelo à fraternidade universal, à união de todos.
Neste momento, a minha voz alcança milhões de pessoas através do mundo, milhões de homens sem esperança, de mulheres, de crianças, vítimas dum sistema que leva os homens a torturar e a prender pessoas inocentes.
Àqueles que podem ouvir-me, digo: Não desesperem. A desgraça que nos oprime não provém senão da cupidez, do azedume dos homens que têm receio de ver a humanidade progredir.
O ódio dos homens há-de passar, e os ditadores morrem, e o poder que tiraram ao povo, o povo retomá-lo-à.
Enquanto os homens morrerem, a liberdade não perecerá.

Charles Chaplin, in 'Discurso final de «O Grande Ditador»'
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Expectativa Frustrada
Quão melhor é apercebermo-nos de que as origens da ira são insignificantes e inofensivas! O que tu vês acontecer junto dos animais, também encontrarás nos homens: vivemos perturbados por coisas frívolas e vãs. O vermelho excita o touro, a áspide ergue-se perante uma sombra, um pano atiça um urso ou um leão: todos os seres da natureza ferozes e selvagens se assustam com coisas vãs. O mesmo acontece com os espíritos inquietos e insensatos: são vencidos pelas aparências; é por isso que consideram ofensiva uma gratificação modesta, a causa mais frequente da ira ou, pelo menos, a mais amarga de todas. De facto, iramo-nos com aqueles que nos são mais queridos porque nos deram menos do que esperávamos ou menos do que os outros obtiveram; para qualquer um dos casos, há um remédio. Ele deu mais a outro homem: contentemo-nos com a nossa parte, sem fazermos comparações: nunca será feliz aquele que atormenta quem é mais feliz que ele. Recebi menos do que esperava: talvez esperasse mais do que me era devido. Este capricho é um dos mais temíveis, pois dele nascem as iras mais perniciosas e mais capazes de atentar contra as coisas mais sagradas.
Séneca, in 'Da Ira'
Séneca, in 'Da Ira'
domingo, 5 de abril de 2009
Tempo...
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial, industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão; Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui por diante vai ser diferente"
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 9 de março de 2009
O rio da Vida
"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida. Ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, segue-o!"


Nietzsche
Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, segue-o!"


Nietzsche
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Her Morning Elegance / Oren Lavie
Sun been down for days
A pretty flower in a vase
A slipper by the fireplace
A cello lying in its case
Soon she’s down the stairs
Her morning elegance she wears
The sound of water makes her dream
Awoken by a cloud of steam
She pours a daydream in a cup
A spoon of sugar sweetens up
And She fights for her life
As she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
As it pours
And she fights for her life
As she goes in a store
With a thought she has caught
By a thread
She pays for the bread
And She goes…
Nobody knows
Sun been down for days
A winter melody she plays
The thunder makes her contemplate
She hears a noise behind the gate
Perhaps a letter with a dove
Perhaps a stranger she could love
And She fights for her life
As she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
As it pours
And she fights for her life
As she goes in a store
With a thought she has caught
By a thread
She pays for the bread
And She goes…
Nobody knows
And She fights for her life
As she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
As it pours
And she fights for her life
Where people are pleasently strange
And counting the change
And She goes…
Nobody knows
Os meus Amigos
- Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
- Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
- A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
- Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
- Deles não quero resposta, quero meu avesso.
- Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
- Para isso, só sendo louco.
- Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
- Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
- Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
- Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
- Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
- Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
- Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
- Não quero amigos adultos nem chatos.
- Quero-os metade infância e outra metade velhice!
- Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
- Tenho amigos para saber quem eu sou.
- Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
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